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Tive minha licença médica negada pela junta oficial do órgão: o que devo fazer?

Soares Macedo Advocacia
14 de set.
3 min de leitura

Estar doente e incapacitado para as atividades profissionais já é uma situação extremamente desgastante. Para o servidor público de carreira, esse cenário pode se transformar em um pesadelo administrativo quando, após passar semanas em tratamento e apresentar laudos contundentes de seus médicos assistentes, a junta médica oficial do órgão público indefere o pedido e nega a concessão da licença para tratamento de saúde. O servidor se vê diante de um impasse cruel: retornar ao trabalho sem condições físicas ou mentais, ou faltar e correr o risco de ser demitido.


Se você teve o seu direito à licença médica rejeitado pela perícia oficial, entenda que a decisão do órgão não é soberana e conheça os caminhos para proteger seu cargo e sua saúde.



A junta médica oficial pode ignorar o laudo do meu médico particular?


A administração pública alega que os laudos emitidos pelos seus peritos oficiais gozam de "presunção de legitimidade e veracidade", o que supostamente daria o direito de ignorar qualquer recomendação dos médicos particulares do servidor.


Contudo, essa presunção não é absoluta. A junta médica oficial não possui o poder de emitir decisões arbitrárias ou genéricas (como as famosas negativas de uma linha, sem fundamentação). O perito do Estado é obrigado a realizar um exame clínico detalhado e a contrapor cientificamente os exames, relatórios e prescrições apresentados pelo servidor. Ignorar um histórico de internação, cirurgias recentes ou laudos psiquiátricos robustos sem uma justificativa médica plausível configura nítido cerceamento de direitos e abuso de poder.



O que acontece se eu faltar ao trabalho após a negativa da licença?


Este é o maior perigo para o funcionário de carreira. Caso a junta negue a licença e ordene o retorno imediato ao trabalho, os dias em que o servidor permanecer afastado passarão a ser contabilizados pelo setor de Recursos Humanos como faltas injustificadas.


O acúmulo dessas faltas em virtude da negativa pericial pode engatilhar a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) sob a acusação de inassiduidade habitual ou abandono de cargo, cuja punição prevista em estatuto é a demissão. Por essa razão, o servidor nunca deve simplesmente cruzar os braços e faltar sem adotar uma contraestratégia jurídica imediata para resguardar a sua frequência e suspender os efeitos da decisão da junta.



Como recorrer da decisão da junta oficial e garantir o meu afastamento?


Ao receber o laudo de indeferimento da perícia, o servidor possui duas vias de atuação: a administrativa e a judicial. Na via administrativa, cabe a interposição de um recurso de reconsideração perante a própria junta ou um recurso hierárquico direcionado à autoridade superior, exigindo uma nova avaliação por uma banca revisora de médicos.


No entanto, diante da lentidão e da tendência do órgão em manter suas próprias decisões, a via mais eficaz costuma ser a ação judicial com pedido de liminar de urgência. No processo, o advogado especialista demonstrará ao juiz o risco iminente de agravamento da saúde do servidor e a aparente ilegalidade da junta. O juiz concederá uma liminar para suspender a ordem de retorno ao trabalho e determinará a realização de uma perícia judicial com um médico perito neutro, especialista na patologia do servidor. Ficando comprovada a incapacidade em juízo, o Estado será obrigado a conceder a licença e a retirar todas as faltas registradas no prontuário do funcionário.



Conclusão: a burocracia pericial não pode se sobrepor à saúde do trabalhador


A perícia médica institucional existe para fiscalizar fraudes, e não para funcionar como um mecanismo de corte de despesas que obriga servidores gravemente enfermos a trabalharem sob dor ou sofrimento psicológico. A integridade física e mental do trabalhador é um direito fundamental garantido pela Constituição.


A Soares Macedo Advocacia atua de forma combativa na defesa de servidores públicos que enfrentam negativas arbitrárias de licenças médicas e perseguições periciais. Se o seu pedido de afastamento por saúde foi indeferido e você precisa de segurança jurídica para se tratar sem o risco de perder o seu cargo, o suporte de um advogado especialista em direito administrativo é o passo indispensável para contestar o laudo oficial, buscar uma liminar na Justiça e blindar a sua vida funcional. Lembre-se: servidor bem orientado, saúde e cargo protegidos.

 
 
 

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