top of page

Estou sofrendo perseguição e humilhação da minha chefia na repartição: como me defender do assédio moral?

  • Soares Macedo Advocacia
  • 1 de jul.
  • 3 min de leitura

O ambiente de trabalho no serviço público deveria ser pautado pelo respeito mútuo, pela urbanidade e pela eficiência na prestação dos serviços à sociedade. No entanto, uma realidade dolorosa e silenciosa que assombra milhares de servidores em escolas, hospitais e repartições administrativas é o assédio moral. A estabilidade do concurso público, muitas vezes, em vez de proteger o funcionário, torna-se alvo de chefias imediatas que utilizam o poder hierárquico de forma abusiva para isolar, humilhar e forçar o servidor a pedir exoneração ou adoecer.


Se você está vivenciando situações de perseguição no seu órgão público e sente que a sua saúde mental está desmoronando, entenda o que a lei considera assédio e saiba como reagir juridicamente.



O que realmente configura assédio moral no serviço público?


O assédio moral não se confunde com um desentendimento isolado ou com a cobrança firme de metas e produtividade por parte da chefia. Para que o assédio moral fique caracterizado, a conduta abusiva deve ser reiterada e sistemática, ou seja, deve acontecer de forma repetitiva e ao longo do tempo, com o objetivo velado ou explícito de degradar as condições de trabalho do servidor.


No âmbito público, o assédio costuma se manifestar por meio de comportamentos como: retirar as atribuições do servidor deixando-o propositalmente sem tarefas (ócio forçado); transferi-lo de setor ou de mesa sem nenhuma justificativa técnica apenas para isolá-lo dos colegas; criticar o funcionário publicamente com tom sarcástico ou humilhante; ignorar suas perguntas ou relatórios; e abrir sindicâncias ou aplicar penalidades leves de forma desproporcional para criar um histórico funcional negativo.



Quais provas eu preciso reunir para demonstrar a perseguição da chefia?


O maior desafio do servidor assediado é a produção de provas, pois o agressor costuma agir de forma dissimulada ou quando não há testemunhas por perto. Por isso, montar um dossiê detalhado do dia a dia é fundamental para o sucesso de qualquer medida jurídica.


O servidor deve guardar todos os e-mails institucionais com cobranças excessivas ou termos ofensivos, mensagens de aplicativos como WhatsApp, atas de reuniões e ordens de serviço escritas. Registrar um "diário do assédio" — contendo datas, horários, nomes de quem estava presente e o resumo da agressão — possui grande valor técnico. Além disso, os prontuários médicos, receitas de medicamentos controlados e laudos de psicólogos ou psiquiatras que comprovem o desenvolvimento de quadros de ansiedade, depressão ou Síndrome de Burnout decorrentes do ambiente de trabalho funcionam como provas cabais do nexo causal entre o abuso da chefia e o seu adoecimento.



Posso processar o Estado e exigir uma indenização por danos morais?


Sim, perfeitamente. O ordenamento jurídico brasileiro estabelece a responsabilidade civil objetiva do Estado pelos danos que seus agentes causarem a terceiros. Isso significa que, se uma chefia imediata comete assédio moral contra um subordinado dentro da repartição, o servidor pode ingressar com uma ação judicial de indenização por danos morais diretamente contra o ente público (União, Estado ou Município) ao qual está vinculado.


Caso o juiz reconheça a ocorrência do assédio e a omissão do órgão em cessar as agressões após ser comunicado, o ente público será condenado a pagar uma indenização financeira ao servidor para reparar o abalo psíquico sofrido. Posteriormente, o Estado poderá mover uma ação de regresso contra o gestor assediador para que ele pague o prejuízo do próprio bolso. Além da indenização, o processo judicial pode determinar obrigações de fazer, como a transferência compulsória do servidor assediado para um ambiente de trabalho saudável, longe do agressor.



Conclusão: a sua dignidade e saúde mental não são negociáveis


O servidor público dedica a sua vida a fazer a máquina do Estado funcionar e não pode aceitar ser tratado com desrespeito ou virar alvo de caprichos egocêntricos de superiores hierárquicos. Omitir-se ou sofrer em silêncio pode agravar o adoecimento e colocar em risco a sua própria permanência no cargo conquistado por concurso.


A Soares Macedo Advocacia atua firmemente no combate ao assédio moral no serviço público, acolhendo o servidor e estruturando ações indenizatórias e de proteção funcional. Se você está sendo vítima de perseguição na sua repartição e deseja interromper esses abusos com o respaldo da lei, buscar o auxílio de um advogado especialista em direito administrativo é o passo indispensável para auditar a sua situação, blindar a sua saúde e resgatar a sua dignidade no trabalho. Lembre-se: servidor bem orientado, direitos e saúde preservados.

 
 
 

Comentários


bottom of page