Progressão Funcional: O Estado está te devendo dinheiro e você talvez não saiba
- Soares Macedo Advocacia
- 23 de mar.
- 3 min de leitura
Você cumpriu o tempo de serviço, apresentou os títulos, teve avaliação positiva, mas o seu salário continua o mesmo? Entenda por que a "falta de orçamento" não é uma desculpa válida para o Estado travar o seu crescimento na carreira.
1. Introdução: A carreira que não caminha
A progressão funcional é o motor da carreira do servidor público. É através dela que o profissional sai de um nível para outro, garantindo um aumento salarial proporcional ao seu tempo de dedicação e ao seu aperfeiçoamento (cursos e títulos).
O problema é que, na prática, muitos servidores municipais e estaduais preenchem todos os requisitos, entregam a documentação, mas ficam anos esperando uma resposta que nunca vem. A justificativa da administração é quase sempre a mesma: "estamos sem orçamento" ou "não há vagas disponíveis". Mas será que isso é legal?
2. O Direito não é um "favor" do Gestor
A primeira coisa que o servidor precisa entender é que a progressão funcional é um direito subjetivo. Isso significa que, se você cumpriu o que a lei do seu cargo exige (tempo, cursos e avaliação), o Estado deve te promover. Não é uma escolha política do prefeito ou do governador.
Muitas vezes, o ente público alega que não pode dar o aumento por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). No entanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já resolveu essa polêmica. No Tema Repetitivo 1075, o STJ decidiu que os limites de gastos com pessoal previstos na LRF não servem de desculpa para negar direitos que já estão na lei, como é o caso das progressões funcionais.
3. De quem é a culpa se "não tem vaga"?
Outra desculpa muito comum é a "falta de vagas" no nível superior. Aqui entra um detalhe jurídico importante: o ônus da prova.
A justiça entende que, se o servidor provar que cumpriu os requisitos de tempo e mérito, cabe ao Estado ou Município provar, de forma documentada, que realmente não existe vaga. Se a administração ficar em silêncio ou não conseguir provar essa falta de vagas, o servidor tem o direito de ser progredido e, mais importante, de receber todos os valores retroativos desde o dia em que deveria ter subido de nível.
4. A Regra dos 5 Anos: O relógio está correndo contra você
Tal como acontece com outras verbas alimentares, as diferenças salariais da progressão funcional sofrem a chamada prescrição quinquenal (Decreto nº 20.910/1932).
Isso significa que você só pode cobrar os últimos 5 anos de atrasados. Se o Estado está te devendo uma progressão há 8 anos, você já perdeu 3 anos de dinheiro que ficou no cofre público. Cada mês que você espera para buscar seus direitos, uma parcela antiga "vence" e você perde o direito de recebê-la.
5. Conclusão: Não financie o Estado com o seu salário
A progressão funcional é a forma de recompensar o bom servidor e manter o poder de compra do salário. Quando o Estado trava esse direito, ele está, na prática, reduzindo o seu salário de forma indireta.
Se você preencheu os requisitos e a sua progressão não saiu, ou se ela saiu com atraso e você não recebeu os retroativos, não aceite passivamente a desculpa da "crise financeira". O seu direito está garantido pela lei e pela jurisprudência dos tribunais superiores. Procure um especialista, analise seu histórico funcional e garanta que sua carreira avance conforme a sua dedicação.



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